Daniel Dantas não é a exceção do modelo político vigente no país

"Dantas na verdade poderia ser tomado como símbolo do capitalismo brasileiro do século 21, moldado para "aproveitadores de oportunidade"


Dissecar e escarafunchar a vida do banqueiro Daniel Dantas é algo que já foi devidamente esgotado pela grande mídia. Matérias contando e recontando suas peripécias financeiras dominaram as capas dos grandes veículos nas últimas semanas, na mesma toada da cobertura de outros diversos escândalos que preenchem as páginas de "política" dos nossos jornais, revistas e sites.



O que talvez esteja sendo deixado de lado é o simbolismo que toda a trama carrega em si. Procura-se dar nomes aos bois, eleger os bandidos, sair a grita com discursos de moralização e esperar por punições da justiça, que por sua vez acabam vindo após o esfriamento do assunto e ainda por cima acompanhadas de sua faceta branda, e célere - aquela que não tolera o assalto no farol, mas não se impressiona tanto com a venda ilegal e imoral do país.



Antes de quaisquer outras definições acerca de seu modus operandi, deve-se reconhecer que Daniel Dantas é um prodígio em sua área de atuação. Com tino empresarial apurado desde os tempos de juventude, Dantas soube desde cedo ocupar os espaços certos ao lado das pessoas certas, pelo menos pela perspectiva de um plano de carreira para o promissor economista baiano.



"Dantas poderia estar a ocupar o ministério das finanças da Cosa Nostra. Talento para o mal, artes e poder compulsivo para corromper não lhe faltam", define Walter Maierovich, de Carta Capital. Justamente esse talento em ‘jogar’ foi o que permitiu a Dantas escalar com relativa facilidade rumo às instâncias mais poderosas e influentes do poder. Sua história de tacadas certeiras e suspeitas começou no governo Collor, porém, foi desfrutar de seu auge na farra das privatizações do país. Pupilo de Mario Henrique Simonsen, após trabalhar no Icatu e mudar-se definitivamente para o Rio de Janeiro, passou a ter trânsito nas negociatas de diversas estatais. A partir de então, a história ficaria mais conhecida, até chegarmos aos dias atuais, nos quais já se tem conhecimento de sua folha de serviços prestados ao país.


No entanto, seria superficial demais tratar Daniel Valente Dantas como um caso isolado em meio a nosso sacrossanto sistema financeiro. Figuras como ele surgiram, e surgem, aos montes no processo de reforma pelo qual passou o capitalismo brasileiro nos anos 90. Também conhecedor do mercado externo, Dantas aproveitou o vácuo de poder e influência que foi aberto com a nova divisão do patrimônio brasileiro, tendo os mais hábeis, como ele, se tornado figuras ativas no dia-a-dia das promíscuas relações que se desenvolveram entre poder público e privado.




Dantas na verdade poderia ser tomado como símbolo do capitalismo brasileiro do século 21, moldado para "aproveitadores de oportunidade", que fazem negócios escancaradamente nocivos aos interesses populares, sob a égide de nossas apodrecidas estruturas de poder. A frase em que dizia se preocupar somente com as instâncias mais baixas da justiça, pois no Supremo estaria tudo em casa, é uma ótima síntese das teias de relações que enredou em sua trajetória.



O que nos livraria de semelhantes?



Lamentavelmente, não se eleva a discussão do caso Dantas a uma reflexão mais conjuntural. "Nos meios de comunicação, a feitura da hegemonia implica na cristalização da figura do corrupto. É como se ele não viesse de canto algum, como se suas relações com o mundo inexistissem", escreve o colunista Roberto Efrem, de Carta Maior.



A análise de Efrem não parece falsa. Ou alguém se lembra de ver o Jornal Nacional questionar o modelo vigente, que permite a ascensão de tal personagem a ponto de estabelecer conexões com uma rede de atores da vida institucional e política do país?



"O corrupto personifica a corrupção, como seria numa representação, mas a corrupção mesma é reduzida a uma ou outra pessoa corrupta, sem comprometer substancialmente instituições", segue em seu diagnóstico o analista de Carta Maior. De fato, nosso circo atual da comunicação se concentra basicamente em levantar, ou refrear, escândalos, revelar novos personagens de novas, ou velhas, falcatruas, num ciclo que se renova ininterruptamente.



Mudam somente os nomes, mas não os enredos que tanto contribuem para que a discussão política caia cada vez mais em descrédito no seio da população. Que esquece o debate que deveria ser travado em torno de nossas instituições, esperando apenas pelo próximo espetáculo de desfaçatez a ser apresentado nas próximas semanas, e que alimentará as viciadas e repetitivas páginas de ‘política’ nacional.



A verdade é que, no contexto atual, figuras como Daniel Dantas e seus pares operam dentro de um sistema que permite todo tipo de engenharia e conluio político-financeiro. Quando uma dessas forças proeminentes de nossa economia cai do cavalo e é desmascarada, tenta-se culpar e demonizar somente o réu em questão. Ganham novamente os donos do poder, pois evitam o debate político em níveis mais elevados e vêem os camaradas da grande imprensa encher seus espaços de notícias policiais, empanturrando o público com notícias do mundo cão (vide caso Isabella) e com a execração fácil de bandidos que, por um ou outro deslize (geralmente originado da ganância sem fim), fizeram ruir seu reino de falcatruas.



"Silêncio constrangido sobre Daniel Dantas, Nahas, Pitta, desagrado de ver ricos algemados. E sobre a chegada do Cacciola, cobertura como se se tratasse de tema anódino, sem nenhum esclarecimento dos antecedentes das acusações, do governo envolvido no escândalo Cacciola", registra o sociólogo Emir Sader, em outro exemplo de corruptor tratado como mera excrescência de um sistema que não teria falhas.



Lado A x Lado B



Ao saber do quão extensas eram, e são, as ligações de Daniel Dantas com o poder, através de todas as correntes partidárias inclusive, fica mais simples compreender a comoção criada nos corredores de Brasília, deflagrada na esculhambação trazida pelo prende-solta na semana em que se pediu a detenção preventiva do banqueiro. Explicam-se, pois, as tensões que sua prisão e as investigações em torno de seus negócios têm gerado nos mais distintos personagens de nossa vida política.



Pelo lado de quem mandava no país na época da privataria, o que se tenta é esconder ao máximo as ligações de seus mais altos cardeais com o agora marginal do mundo financeiro. No entanto, não se pode apagar o passado de reuniões entre ele e FHC na maquinação de leilões que tomaram de assalto o patrimônio público, as mobilizações em torno da eleição de Gilmar Mendes para uma cadeira no STF, as estranhas conversas com André Lara Resende e Luis Carlos Mendonça de Barros na divisão das teles. Tampouco há como apagar as memórias da relação mantida com o casal Pérsio Arida e Elena Landau, que saíram do BNDES para trabalhar no Opportunity; da valiosa amizade com Luiz Leonardo Cantidiano, que na presidência da CVM decidiu arquivar processo investigativo contra o fundo de Dantas, mesmo com todos os indícios de espionagem e de crimes financeiros.



Já pelo lado de quem se dizia contra a privataria, mas depois capitulou e hoje até a fomenta, as ligações com o intrépido baiano não são menos constrangedoras. Não bastasse o comportamento duplo de Lula no tratamento do caso, podemos averiguar que Daniel Dantas já contratou serviços de 5 diferentes escritórios de advocacia ligados a membros do PT, entre eles o de Roberto Teixeira, que também esteve envolvido nas tramas e lobbies pela venda da VarigLog. Também sao de corar o atual governo as possíveis ligações do fundo de Dantas com o valerioduto, à época do famigerado mensalão.



Daniel Dantas e seus negócios, aliados à trupe de políticos, jornalistas e lobbistas que o segue, movimenta bilhões de reais, em qualquer área em que se envolva. "É uma batalha pelo controle do Estado", afirmou FHC em recente entrevista ao Terra Magazine, resumindo bem a sua atuação. Só faltou lembrar quem abriu as portas para essa batalha.



O banqueiro é um belo exemplo da nova linhagem de gênios do mercado financeiro que estendem seus tentáculos a todas as áreas possíveis, como fazem os grandes grupos, a fim de exercer controle sobre a maior quantidade possível de setores da economia. A compra de 100 mil hectares de terra no Pará, novo pólo da agropecuária, é apenas outra mostra de que Danielzinho ainda não saciou seu apetite por grandes negócios. Produto de um sistema que favorece a corrupção e seus conchavos, não uma exceção que desrespeitou as regras do jogo. Como dizem nossos locutores em jogos da Libertadores, Daniel Dantas é Brasil minha gente!


Gabriel Brito: jornalista do Correio da Cidadania.

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Eleições municipais e reforma política

"É preciso aproximar novamente o poder político de sua fonte, que é o povo"


Já estamos em tempo de campanha eleitoral, em vista das eleições municipais em todo o país, a se realizarem no próximo mês de outubro. A propaganda eleitoral gratuita começará na metade de agosto, conforme prevê a atual legislação eleitoral.


Em princípio, as eleições deveriam servir para despertar o interesse dos cidadãos para as causas do bem comum. De tal modo que todos pudessem expressar sua vontade política através dos mecanismos previamente estabelecidos. E o resultado das eleições se tornasse a garantia de que esta vontade dos cidadãos seria colocada em prática pelos candidatos eleitos.



No momento atual, uma constatação preocupa. Parece se alastrar uma apatia política. E cresce o descrédito dos políticos.




As razões são diversas. Mas todas convergem para nos alertar sobre o perigo do descrédito do próprio sistema político, pelas constantes frustrações dos cidadãos. Eles estão ficando saturados do distanciamento crescente entre o efetivo exercício do poder e a vontade dos eleitores que o constituiu este poder.



É urgente reverter esta expectativa. É preciso aproximar novamente o poder político de sua fonte, que é o povo.



A boa notícia é que, finalmente, o Poder Executivo, na pessoa do próprio presidente da República, resolveu assumir a causa da reforma política, apresentando um projeto que precisa ser debatido pelos cidadãos, receber o respaldo da sociedade e ser aprovado pelo Congresso Nacional.



Mesmo ficando restrita ao âmbito infraconstitucional, para não precisar alterar a Constituição atual, esta proposta precisa comportar o fortalecimento da democracia direta, através da regulamentação do Artigo 14 da Constituição, que prevê o estatuto do Plebiscito, do Referendo e da Iniciativa Popular de Lei.


E aprimorar a democracia representativa, modificando o processo eleitoral, tendo como fulcro central o fortalecimento dos partidos, que são os instrumentos indispensáveis para aglutinar a vontade política dos eleitores e para colher suas propostas de organização da sociedade em vista do bem comum.



Aí se amarram algumas decisões que precisam ser definidas de maneira simultânea. O fortalecimento dos partidos pede a fidelidade partidária, que por sua vez encaminha para o sistema de listas organizadas pelos partidos, o que supõe o deslocamento da participação pessoal para dentro de cada partido, onde se exerce a primeira responsabilidade política dos eleitores, prática que é quase inexistente na tradição política brasileira.



É nesta perspectiva que se torna possível o financiamento público das campanhas eleitorais, que é pensado em vista de garantir a igualdade de condições dos candidatos. É inviável o financiamento público das campanhas sem uma organização partidária que lhe dê um mínimo de racionalidade.




Em todo o caso, por limitadas que sejam estas propostas, elas têm o mérito de sacudir a participação da cidadania e devolver um pouco de credibilidade ao esforço de aprimorar nosso sistema político, para que ele se torne instrumento de participação popular e a política volte a ser exercida de maneira organizada e confiável pelos cidadãos, em vista do bem de todos.



D. Demétrio Valentini bispo de Jales.

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A história real e o desafio dos jornalistas cubanos

Por Fidel Castro


HÁ sete dias, falei de uma das figuras mais relevantes da história, Salvador Allende, que o mundo relembrou com profunda emoção e respeito por ocasião do centenário de seu nascimento. Ninguém, contudo, vibrou e nem sequer se lembrou do dia 24 de outubro de 1891, em que — 18 anos antes que nosso admirado irmão chileno — nasceu o déspota dominicano Rafael Leónidas Trujillo.


Ambos os países, um no Caribe e outro no extremo sul da América, sofreram as consequências do perigo que previu e quis evitar José Martí, que em sua famosa carta póstuma ao amigo mexicano que lutou junto a Juárez, transmitiu um pensamento que nunca me cansarei de repetir: "Já estou todos os dias em perigo de dar minha vida… para impedir a tempo, com a independência de Cuba, que se estendam pelas Antilhas os Estados Unidos e caíam, com essa força a mais, sobre nossas terras da América. Tudo o que fiz até hoje, e farei, é para isso."


Coube a nossa Revolução vitoriosa alternar a amizade de Allende e o ódio de Trujillo. Esse era um Pinochet rústico, engendrado pelos Estados Unidos no Caribe. O déspota fora fruto de uma das intervenções militares ianques na ilha partilhada com o Haiti e que fora a primeira colônia espanhola.


A infantaria da Marinha norte-americana tinha intervido nessa república irmã para garantir os interesses hegemônicos e estratégicos de seu país — não existia, com certeza, uma Emenda Platt para encobrir a ação com uma tênue túnica legal.


Em 1918, recruta, entre outros, o aventureiro e ambicioso crioulo, filho de um pequeno comerciante; treina-o e alista-o, com 27 anos de idade, no Exército nacional. Passa um curso de capacitação em 1921 na Academia Militar criada pelos ocupantes do país e, já concluído, é nomeado chefe de uma guarnição e promovido à patente de capitão pelos serviços emprestados nas forças de intervenção, sem antes passar pela patente de tenente requerida para ser promovido.


Ao cessar a ocupação ianque em 1924, Trujillo ficou preparado como instrumento dos Estados Unidos para ocupar altas responsabilidades no domínio militar, as que utiliza para o clássico golpe de Estado e as típicas "eleições democráticas" que o conduziram em 1930 à Presidência da República. O início de seu governo coincidiu com os anos da Grande Depressão que atingiu fortemente a economia dos Estados Unidos.


Cuba, o país mais dependente e maniatado pelos acordos comerciais, sofreu as piores consequências dessa crise. Acrescentava-se a isso, a base naval e a humilhante e desnecessária Emenda, que lhes outorgava direito constitucional para intervirem em nossa nação, fazendo cacos sua gloriosa história.


No país vizinho, com menos dependência econômica direta, Trujillo, homem astuto e cheio de ambições, manipulou a sua vontade os bens da classe média e da oligarquia dominicanas. As principais usinas açucareiras e muitos setores industriais passaram a suas mãos. Esse culto à apropriação privada não ofendia os conceitos capitalistas do império. "Deus e Trujillo", proclamavam em toda parte os outdoors. Muitas cidades, avenidas, estradas e edificações levavam o nome dele ou o nome de parentes achegados. No mesmo ano em que ele tomou posse da Presidência, um furacão bateu fortemente em Santo Domingo, a capital do país. Após ser restabelecida, batizou-a com seu nome, chamando-se oficialmente Cidade Trujillo. Jamais se viu no mundo um caso igual de culto à personalidade.


Em 1937, na área da fronteira, perpetrou uma grande chacina de trabalhadores haitianos que constituíam a reserva de força de trabalho agrícola e construtiva.


Era um aliado seguro dos Estados Unidos. Participou da criação das Nações Unidas e da fundação da OEA em 1948. Em 15 de dezembro de 1952, viajou a Washington, ocupando nada menos o cargo adicional de embaixador plenipotenciário na Organização dos Estados Americanos. Permanece nesse país três meses e meio. Em 2 de julho de 1954, foi àEspanha a bordo de um transatlântico que o levou a Vigo. Franco, que já era aliado do império, recebeu-o na estação norte de Madri com todo o corpo diplomático.


Minha relação com a República Dominicana data do tempo em que eu era estudante universitário. Tinha sido honrado com a designação de presidente do Comitê Pró-Democracia Dominicana. Não parecia um cargo muito importante, mas, devido a meu caráter rebelde, o tomei a sério. Inopinadamente, chegou a hora propícia. Os exilados dominicanos impulsionam em Cuba uma força expedicionária. Enrolo-me nela quando ainda não tinha concluído o segundo ano de meu curso. Eu tinha nesse momento 21 anos.


Já contei noutras ocasiões o que então aconteceu. Depois do fracasso da expedição de Cayo Confites, não estive entre os mais de mil prisioneiros levados para o acampamento militar de Columbia, encarceramento que deu lugar à greve de fome de Juan Bosch. Tinham sido confinados pelo chefe do Exército de Cuba, general Pérez Dámera, que recebeu dinheiro de Trujillo para interceptar a expedição, o que foi feito quando se aproximava da Passagem dos Ventos.


Uma fragata da Marinha cubana, apontando com seus canhões de proa para nossa embarcação que ia à frente, deu a ordem de voltar e ancorar no porto de Antilla. Joguei-me no mar à entrada da Baía de Nipe com mais três expedicionários. Éramos quatro homens armados.


Conhecia Juan Bosch, proeminente líder dominicano, em Cayo Confites, onde treinamos e pude conversar muito com ele. Não era o chefe da expedição, mas sim a mais prestigiosa personalidade entre os dominicanos, ignorado por alguns dos principais chefes do movimento e pelos cabecilhas cubanos, que contavam com influências oficiais importantes e bem remuneradas. Nem imaginava isto que hoje escrevo!


Quando, onze anos depois, nossa luta na Seerra Maestra estava quase a concluir vitoriosamente, Trujillo deu um crédito a Batista em armas e munições, que chegaram de avião em meados de 1958. Além disso, ofereceu-lhe transportar por ar três mil soldados dominicanos, e posteriormente, outra força igual que desembarcaria pela província de Oriente.


Em 1º de janeiro de 1959, a tirania de Batista foi derrubada pelos golpes contundentes do Exército Rebelde e pela greve geral revolucionária. O Estado repressivo desmoronou-se completamente em toda a Ilha. Batista fugiu para a República Dominicana. Com ele viajaram, entre outros personagens sinistros do regime, o conhecido sicário Ludgardo Martín Pérez, seu filho de 25 anos de idade, Roberto Martín Pérez Rodríguez, e um grupo dos principais chefes militares de seu exército derrotado.


Trujillo recebeu calorosamente Batista e instalou-no na residência oficial para convidados ilustres, enviando-o mais tarde para um hotel de luxo. Preocupa-lhe o exemplo da Revolução Cubana e, contando com os altos chefes do antigo exército batistiano e o provável apoio das dezenas de milhares dos soldados das três armas que o integravam, e a polícia, teve a idéia de organizar a contra-revolução e apoiá-la com a Legião do Caribe, que contaria com 25 mil soldados do exército dominicano.


O governo dos Estados Unidos, conhecendo estes planos, envia um oficial da CIA a Santo Domingo para se entrevistar com Trujillo e avaliar os planos contra Cuba. Em meados de fevereiro de 1959, reúne-se com John Abbe García, chefe da inteligência militar dominicana. Recomendou-lhe enviar agentes para recrutar elementos inconformados nas próprias fileiras da Revolução vitoriosa. Não lhe informou que o governo dos Estados Unidos contava com William Alexander Morgan Ruderth, cidadão norte-americano e agente da CIA, infiltrado na Segunda Frente do Escambray, que o promoveu a comandante, e era um dos seus chefes principais.


O desenvolvimento desses acontecimentos, que constituem uma fascinante história, foi recolhido em livros de altos funcionários da Inteligência e da Segurança cubanas, depoimentos de chefes de unidades do Exército Rebelde que participaram dos fatos; autobiografias, declarações oficiais da época, bem como de jornalistas nacionais e estrangeiros, que é impossível mencionar nesta Reflexão.


Além disso, há um livro em edição, escrito por um companheiro que, aos 17 anos, ingressou nas Milícias, que, por sua bom comportamente e mente ágil, passaram-no para a escolta do primeiro-ministro e comandante-em-chefe, onde estudou estenografia, depois fez apontamentos das conversações e recolheu os depoimentos de centenas de participantes dos acontecimentos que narra. Trata-se de um capítulo da história da Revolução que ainda não vai ser fechado.


Como é de supor, os principais chefes revolucionários e eu éramos informados constantemente das notícias dos planos do inimigo que chegavam. Concebemos desferir um duro golpe à contra-revolução ianque, batistiana e trujillista.


Quando as armas enviadas por mar da Flórida, para os golpes iniciais, e os chefes e conspiradores estavam sob um rigoroso controle, foi simulada uma contra-revolução bem-sucedida na área montanhosa do Escambray e em Trinidad, que dispunha de uma pista aérea. O município foi isolado dessa pequena e amistosa cidade e foi intensificado o trabalho político revolucionário.


Trujillo se entusiasmava. Uma companhia de rebeldes disfarçada de camponeses gritava na pista aérea: "Viva Trujillo! Abaixo Fidel!", e de tudo isso se informava à chefatura na República Dominicana. Esta tinha lançado abundantes apetrechos em pára-quedas. Tudo corria bem.


Em 13 de agosto, chegou um avião com o emissário especial de Trujillo: Luis del Pozo Jiménez, filho de quem foi prefeito batistiano da capital e figura proeminente do regime. Num mapa indicou as posições que deviam ser bombardeadas pela Força Aérea dominicana e indagou a quantidade de legionários de que se necessitavam na primeira etapa.


Com ele, veio outro enviado importante, Roberto Martín Pérez Rodríguez, como já foi mencionado; viajou junto a seu pai, com Batista em sua fuga para a República Dominicana naquele 1º de janeiro. Acompanhavam-no vários chefes mercenários que iam para ficar. O aparelho devia voltar. Era tripulado pelo mesmo pessoal cubano que transportou Batista quando fugiu.


Eu estava nas proximidades da pista de aterrissagem com Camilo Cienfuegos e outros comandantes rebeldes. O chefe do pessoal militar cubano que descarregava as armas e os equipamentos de comunicação enviados, interpretou que devia prender os tripulantes do avião. Ao fazê-lo, um co-piloto se apercebeu disso, disparou contra eles e o tiroteio se generalizou. Os enviados de Trujillo e demais chefes mercenários foram detidos. Houve baixas.


Nessa mesma noite, visitei os feridos de ambos os bandos. Não podia continuar o plano. Até esse momento, todas as comunicações entre Trujillo e a contra-revolução do Escambray foram feitas por onda curta. A emissora oficial de Trujillo emitia relatórios vitoriosos similares aos que se escutavam na Rádio Swan e em Miami nos dias da invasão à Baía dos Porcos. Nunca usamos as emissoras públicas de Cuba para propagar relatórios oficiais falsos.


O jogo podia ter se mantido inclusive depois de ter pegado o avião e de terem sido presos Luis del Pozo Jiménez e Roberto Martín Pérez Rodríguez, simulando um desarranjo mecânico no avião que devia regressar, mas só ao preço de enganar e confundir o povo, inquieto já pelas notícias procedentes do Escambray sobre supostas vitórias contra-revolucionárias, difundidas publicamente da Cidade Trujillo.


Nesse 13 de agosto de 1959, eu completei 33 anos; estava na plenitude da vida e das faculdades físicas e mentais.


Tratava-se de uma importante vitória revolucionária, mas ao mesmo tempo, de um sinal dos tempos que viriam e um triste presente que me fez Rafael Leónidas Trujillo no dia do meu aniversário. Vinte meses depois, enfrentaríamos a invasão à Baía dos Porcos, a violência e o sangue no Escambray, na beira-mar, em cidades e campos de todo o país. Era a contra-revolução dirigida pelos Estados Unidos.


Nesse país teriam fuzilado Roberto Martín Pérez Rodríguez e Luis del Pozo Jiménez como mercenários a serviço de uma potência inimiga. Os Tribunais Revolucionários condenaram-nos à prisão e não tocaram um só cabelo deles. Qual foi o destino de Martín Pérez? Emigrou legalmente para os Estados Unidos. Hoje, é cabecilha da máfia terrorista cubano-americana que apóia o candidato republicano McCain.


Um jornalista e pesquisador canadense prestigioso, Jean-Guy Allard, descreve o histórico terrorista de Roberto Martín Pérez Rodríguez:


"…De fato, desde muito jovem, ’Macho’ Martín Pérez (assim costumam chamá-lo), "ingressou na polícia de Batista e, à força de maus-tratos aos presos nos últimos meses do sanguinário regime, obteve a patente de sargento, por seus singulares méritos.


"Tão próximo de Batista estavam o pai e o filho que, em 1º de jneiro de 1959, em vez de fugir para Miami, acompanharam o ditador , que foi para seu refúgio na República Dominicana.


"…Libertado em 29 de maio de 1987… em 1989 incorporou-se à Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), criada pela CIA durante o governo de Ronald Reagan.


"Em breve, dirigiu o comité paramilitar conformado por essa organização que garante o financiamento, entre outros, do grupo terrorista Alpha 66 e dos demais grupelhos extremistas que atuam contra Cuba.


"…Martín Pérez Rodríguez participou da organização de toda uma série de tentativas fracassadas de assassinato do presidente de Cuba, em diferentes Cúpulas Ibero-Americanas.


"Em 1994, quando da participação de Fidel na 4ª Cúpula, em Cartagena de Índias, Colômbia… adquiriu um fuzil calibre 50 e meios explosivos que foram transportados de Miami à Colômbia … de avião!


"…preparou um complô com vista à 5ª Cúpula Ibero-Americana em 1995, com Jiménez Escobedo e Eugenio Llameras. Nesse ano, reativa esse mesmo plano para implementá-lo na Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, também em Cartagena de Índias, Colômbia.


"Em 1997, na Ilha Margarita, na Venezuela, efetuando-se a 7ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, Posada orquestra outra conspiração com o apoio direto de Martín Pérez Rodríguez, e de outros dirigentes da FNCA…


"…foi assinante da Declaração de apoio ao terrorismo contra Cuba, publicada pela FNCA em 11 de agosto… Roberto Martín Pérez, Feliciano Foyo e Horacio García, são alguns dos indivíduos designados publicamente por Posada como os ‘financistas’ de suas atividades terroristas em sua entrevista de 1997, com o The New York Times."


"…Financiou em Miami uma exposição de quadros de Bosch e de Posada, os dois autores intelectuais da sabotagem ao avião civil cubano, em 1976, matando 73 pessoas.


"Em 1998, o grande defensor do ‘preso político’ fez uma de suas façanhas mais sujas: com outros cabecilhas da máfia de Miami… levou o novo chefe do FBI, o muito corruptível Héctor Pesquera, pender cinco cubanos infiltrados nas fileiras das organizações terroristas."


"…sabe-se de sua amizade indefectível com Guillermo Novo Sampoll, assassino do dirigente chileno Orlando Letelier…"


"O candidato republicano tem que saber que seu protegido, de 73 anos de idade, foi o primeiro a afirmar que, no dia de sua sonhada vitória sobre a Revolução cubana, passaria uma niveladora do Cabo San Antonio à Ponta de Maisí, para eliminar a atual população da Ilha, culpada de se vincular, de uma forma ou outra, com a Revolução.


"…noutra ocasião, quando foi perguntado sobre o perigo de matar inocentes num atentado contra dirigentes cubanos, declarou que não lhe importava se morria o Papa’".


A verdade histórica faz com que lembremos que o pai de John McCain comandou o ataque anfíbio, a invasão e ocupação da República Dominicana em 1965, para enfrentar as forças nacionalistas dirigidas por Francisco Caamaño, outro grande herói dessa nação, o qual conheci muito bem e sempre confiou em Cuba.


Dedico esta reflexão de caráter histórico a nossos queridos jornalistas, por coincidir com o 7º Congresso da União dos Jornalistas de Cuba. Com eles, sinto-me em família. Como eu teria gostado de estudar as técnicas de seu ofício!


A UPEC teve a generosidade de editar um livro intitulado Fidel Jornalista que será lançado amanhã, à tarde. Enviaram-me um exemplar que contém vários artigos publicados em órgãos clandestinos ou legais há mais de 50 anos, com prólogo de Guillermo Cabrera Álvarez e escolha, introdução e apontamentos de Ana Núñez Machín.


Eu alcunhei Guillermo Cabrera de O Gênio, desde meus primeiros encontros com ele. Foi a impressão que tive daquela pessoa maravilhosa que infelizmente morreu no ano passado. Foi operado de coração fazia um tempo em nosso prestigioso Centro Cardiovascular da cidade de Santa Clara, criado pela Revolução.


Li de novo alguns dos artigos divulgados em Alerta, Bohemia, La Calle, e vivi mais uma vez aqueles anos.


Diante da necessidade de transmitir idéias, escrevi esses artigos. Fi-lo por puro instinto revolucionário. Sempre apliquei um princípio: as palavras devem ser simples; os conceitos, inteligíveis para as massas. Hoje tenho mais experiência, porém menos força; custa-me muito fazê-lo. O nível de nosso povo, com a Revolução, é muito mais alto; a tarefa é mais difícil.


Do ponto de vista revolucionário, não importam as discrepâncias; o que importa é a honestidade com que a gente opine. Das contradições, sairá a verdade. Talvez, noutra ocasião, valha a pena maior esforço para expressar algumas observações sobre o assunto.


Ontem ocorreu um importante acontecimento, que será o tema principal nos próximos dias: a libertação de Ingrid Betancourt e de um grupo de pessoas que estavam no poder das FARC, sigla da organização Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.


Em 10 de janeiro deste ano, nosso embaixador na Venezuela, Germán Sánchez, a pedido dos governos da Venezuela e da Colômbia, participa da entrega, à Cruz Vermelha Internacional, de Clara Rojas, que foi candidata à vice-presidência da Colômbia, quando Ingrid Betancourt se candidatou à presidência, e foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002. Consuelo González, membro da Câmara dos Representantes, seqüestrada em 10 de setembro de 2001, foi libertada com ela.


Abria-se um capítulo d paz para a Colômbia, processo que Cuba vem apoiando há mais de 20 anos, sendo o mais conveniente para a unidade e libertação dos povos da nossa América, empregando novas vias nas complexas e especiais circunstâncias atuais, após o colapso da URSS no começo da década de 1990 — que não tentarei analisar aqui–, bem diferentes das de Cuba, da Nicarágua e de outros países nas décadas de 50, 60 e 70 do século 20.


O bombardeamento em 1º de março, de manhã, de um acampamento em solo equatoriano, onde dormiam guerrilheiros colombianos e jovens visitantes de diversas nacionalidades, com uso de tecnologia ianque, ocupação de território, tiros de misericórdia nos feridos e seqüestro de cadáveres, como parte do plano terrorista do governo dos Estados Unidos, repugnou o mundo.


Em 7 de março, realizou-se a Reunião do Grupo de Rio, na República Dominicana, onde o fato foi condenado energicamente, enquanto o governo dos Estados Unidos o aplaudia.


Manuel Marulanda, camponês e militante comunista, chefe principal dessa guerrilha criada há quase meio século, ainda vivia. Faleceu no dia 26 desse mês.


Ingrid Betancourt, enfraquecida e doente, bem como outros presos com precárias condições de saúde, dificilmente poderiam resistir mais tempo.


Por um elementar sentimento de humanidade, alegrou-nos a notícia de que Ingrid Betancourt, três cidadãos norte-americanos e outros prisioneiros tinham sido libertados.


Os civis nunca deveram ser seqüestrados, nem os militares serem mantidos como prisioneiros nas condições da selva. Eram fatos objetivamente cruéis. Nenhum propósito revolucionário podia justificar isso. Em seu momento, será preciso fazer uma análise profunda dos fatores subjetivos.


Em Cuba, ganhamos nossa guerra revolucionária pondo logo em liberdade e sem condição alguma, os prisioneiros. Entregávamos à Cruz Vermelha Internacional os soldados e oficiais capturados em cada batalha, ocupando apenas as armas. Nenhum soldado as entrega, se a morte o espera, ou um tratamento cruel.


Observamos com preocupação que o imperialismo tenta aproveitar os acontecimentos da Colômbia para ocultar e justificar seus horrendos crimes de genocídio noutros povos, desviar a atenção internacional de seus planos intervencionistas na Venezuela e na Bolívia, e da presença da IV Frota em apoio à linha política que pretende liquidar totalmente a independência e apoderar-se dos recursos naturais dos demais países ao sul dos Estados Unidos.


São exemplos que devem ilustrar todos nossos jornalistas. A verdade em nossos tempos navega por mares tempestuosos, onde a mídia está nas mãos dos que ameaçam a sobrevivência humana com seus imensos recursos econômicos, tecnológicos e militares. Esse é o desafio dos jornalistas cubanos!


Fidel Castro Ruz

julho de 2008


16h26 •


fonte Granma

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Empregos errantes: os primórdios da Divisão Internacional do Trabalho



"Nos anos 1970, ficou claro que uma nova divisão internacional do trabalho estava surgindo na indústria manufatureira, com companhias fragmentando seus processos de produção em subprocessos"


Escrito por Ursula Huws

Do meio dos anos setenta em diante, quando as fábricas começaram a fechar, foram os trabalhadores imigrantes da Ásia do Sul, no Norte do Reino Unido; do norte da África, na França; da Turquia, na Alemanha; da América Hispânica, nos Estados Unidos; e da Coréia, no Japão, que suportaram a dureza dessa derrocada.


A divisão internacional do trabalho não é nova. As regiões comercializaram entre si seus produtos desde o início dos tempos históricos e saquear outras partes do mundo em busca de matéria-prima ou trabalho escravo é tão velho, pelo menos quanto o colonialismo. No final do século XIX, o Império Britânico exibia um padrão altamente desenvolvido de especialização industrial regional, articulado em rede mundial de comércio. O século XX viu corporações multinacionais operarem com crescente independência em relação aos interesses dos Estados-nacão que as sediavam, anunciando o período posterior à segunda guerra mundial, caracterizado por Baran e Sweezy como “capitalismo monopolista”.


Nos anos 1970, ficou claro que uma nova divisão internacional do trabalho estava surgindo na indústria manufatureira, com companhias fragmentando seus processos de produção em subprocessos separados e distribuindo essas atividades ao redor do globo, onde quer que as condições fossem mais favoráveis. Essas tendências continuaram nos anos 1980 em relação a indústrias tão diversas quanto vestuário, eletrônica e automobilística. Unidades de produção emigraram para longe das economias desenvolvidas em razão de seus custos mais elevados de mão-de-obra e fortes controles ambientais, em busca de países em desenvolvimento e muitas vezes de “zonas de livre comércio”, onde incentivos fiscais eram oferecidos e onde as regulamentações do trabalho e do meio ambiente foram suspensas no esforço de atrair ao máximo o investimento direto estrangeiro.

Os trabalhadores nessas regiões eram desproporcionalmente jovens e mulheres recebiam salários abaixo do nível de subsistência. Entretanto, apesar de serem mulheres e muito jovens, esses trabalhadores não ficaram passivos e muitos se organizaram para melhorar sua sorte. Esse é um dos motivos pelos quais algumas regiões antes consideradas de baixos salários, por exemplo, o sudeste da Ásia e a América Central, são hoje vistas como de salários relativamente altos, e as companhias as deixaram para explorar forças de trabalho ainda mais baratas, como na China, na África Subsaariana e outras partes da América Latina.



Não é preciso dizer que essa mudança teve impactos dramáticos tanto nas cidades que perderam como nas que ganharam postos de trabalho fabris. Nas regiões cujas economias dependiam da manufatura para exportação, tais como as “maquiladoras” do México ou a região Metro Manila nas Filipinas, surgiram grandes bairros populares, muitas vezes em áreas altamente poluídas. Essas áreas atraem trabalhadores das proximidades rurais empobrecidas e, nesse processo, criam novos mercados urbanos para produtos e serviços e novas demandas por infra-estrutura e moradia, freqüentemente inadequadas.

Nos países desenvolvidos, cidades que haviam crescido como centros manufatureiros no século XIX e começo do XX tiveram de transformar-se em centros de serviço ou decair como verdadeiros “cinturões de ferrugem”, com alto desemprego, shopping centers vazios, criminalidade crescente e serviços públicos deteriorados. Em muitos casos, não foi do dia para a noite que essas cidades se transformaram de grandes empregadoras de trabalhadores fixos organizados em cidades cheias de terrenos baldios, de fábricas e depósitos fechados. Houve um período de transição durante o qual o trabalho foi automatizado, simplificado e barateado. Durante o período de prosperidade nos países desenvolvidos, entre 1950 e metade de 1970, essas cidades importaram força de trabalho para executar serviços que já não eram atraentes para a população local.



Do meio dos anos setenta em diante, quando as fábricas começaram a fechar, foram esses trabalhadores imigrantes da Ásia do Sul, no Norte do Reino Unido; do norte da África, na França; da Turquia, na Alemanha; da América Hispânica, nos Estados Unidos; e da Coréia, no Japão, que suportaram a dureza dessa derrocada. Tensões étnicas acrescentaram-se à fermentação da decadência nas áreas do “cinturão de ferrugem”.


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