Educação Superior

Não confunda inchaço com crescimento

Gilson Amaro*


Recentemente foi publicada matéria em jornal da cidade (Bom Dia) onde são expostos alguns dados do Censo da Educação Superior do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) realizado em 2006. Os dados são alarmantes das 920.232 vagas oferecidas 489.642 (53,2%) são ociosas. Tendo em vista o alto grau de disputa para o ingresso nas universidades publicas - que chegam em alguns cursos a ter 200 ou mais candidatos por vaga, é mais do que simples deduzir que as vagas ociosas são da educação privada. E o Censo confirma: 97,7% das vagas ociosas são nestas instituições.



Os motivos deste déficit são óbvios; alto preço das mensalidades e baixo poder aquisitivo dos trabalhadores (as) brasileiros. Porém, outro fato é igualmente preocupante, sem entrarmos diretamente no quesito qualidade de ensino que é precário na maioria destas instituições: via de regra antidemocráticas, visando apenas o lucro - quem sofre o prejuízo direto disto não são os donos das faculdades ou instituições mantenedoras, mas sim os estudantes, afinal, no afã de maximizar o lucro e de modo algum ter prejuízo, os empresários da educação cometem abusos e promovem aberrações tornando ainda mais precária a já frágil condição de ensino na educação privada.


Situações como fusão de turmas de períodos diferentes, misturando muitas vezes salas do ultimo período com calouros e criação de turmas com mais 100 alunos por sala sem estrutura alguma, tornaram-se pratica comum. Os donos e administradores destas instituições, num ato de desrespeito com os estudantes, a educação e sociedade promovem redução de custos por todos os meios e modos como se o ensino fosse um produto qualquer.


Outras saídas encontradas pelos mercadores do ensino são ainda, a criações de cursos com curta duração e o investimento nos cursos a distancia, que conforme revelado pelo censo teve crescimento de 80,7%. Oferecendo uma formação precária a baixo custo.


Aqueles que olham para a expansão numérica das IES (Instituições de Ensino Superior) falam muito em “crescimento da educação superior”, porém os dados do censo comprovam que se trata na realidade de um inchaço insustentável por si mesmo. A educação no Brasil hegemonizada pelo mercado converteu-se em mercadoria e já não cumpre uma função de emancipação social e histórica, e em muitos casos sequer de inserção no mercado de trabalho devido ao desemprego estrutural** que enfrentamos.


Para nós fica a pergunta: Para onde vamos? Ou melhor, para onde nos querem levar? E a quem serve esta educação?



*Gilson Amaro é estudante de Filosofia e presidente do DCE Capucho

** Em linhas gerais podemos dizer que é o desemprego gerado pela eliminação de postos de trabalho de forma definitiva em virtude dos métodos de produção. Ele é causado essencialmente pela “reengenharia” ou “reestruturação” produtiva das empresas e eventualmente, de órgãos públicos aceleradas no mundo neoliberal.


1 comentários:

Fábio Cassimiro

sexta-feira, maio 02, 2008 9:06:00 AM

Olá, não conhecia o blog de vocês e gostaria de dizer que esta bem interessante, com bons texto, parabéns.