Dirigente nacional do MST é baleado em ação de despejo em Limeira (SP)


Gilmar Mauro (foto) e pelo menos mais dois integrantes do movimento foram hospitalizados após ação de despejo da tropa de choque em Limeira, a 154 km de São Paulo. A área em litígio, reivindicada pela prefeitura, pertence à União, afirma Incra.

Verena Glass - Carta Maior

SÃO PAULO - Na manhã de quinta feira do dia 29 de Novembro, uma ação de despejo da tropa de choque da Polícia Militar contra cerca de 250 famílias de sem-terra ligadas ao MST deixou vários feridos e destruiu barracos e lavouras em Limeira, interior de São Paulo. Um dos feridos foi o dirigente nacional do movimento, Gilmar Mauro, que teve a orelha praticamente decepada por um tiro.

Do hospital, para onde foi encaminhado com mais dois sem-terra – atingidos na cabeça e no pé –, Mauro afirmou que a ação foi uma “verdadeira operação de guerra”. “A tropa de choque sobrevoou o acampamento com helicópteros, jogou bombas em mulheres e crianças, feriu muita gente, foi um absurdo. Não sabemos ainda quantos foram atingidos, mas foi muita gente. Arrebentaram a minha orelha, sorte que ela ainda ficou presa na cabeça e pode ser costurada no hospital”, relata o dirigente do MST.

Até o início da tarde, depois de receberem da polícia um prazo de duas horas para retirarem todos os seus pertences do acampamento antes da destruição definitiva dos barracos, os sem-terra não sabiam ainda para onde seriam encaminhados, e estavam esperando a chegada do superintendente do Incra do estado, Raimundo Oliveira, para resolver a situação. Já por volta das 16:00 h, cerca de 200 militantes do MST trancaram a Rodovia Anhanguera na altura do km 315, em Ribeirão Preto, em protesto contra a violência policial.

Despejo irregular
De acordo com Claudia Praxedes, membro da direção estadual do movimento, o terreno onde estava o acampamento (conhecido como Horto Florestal Tatu, mas que não é uma área de conservação ambiental), ocupada há sete meses, pertence à União e já e está em processo de destinação, pelo Incra, à reforma agrária. Segundo o MST, a reintegração de posse foi solicitada pela prefeitura de Limeira – que nunca deteve a posse da área, onde vinha despejando o lixo da cidade – e concedida na última terça (27).

A irregularidade da liminar foi reafirmada, ainda de acordo com o movimento, pelo próprio Incra, que teria assegurado que o despejo não ocorreria e que até quarta buscou, sem sucesso, negociar com a Justiça e a Secretaria de Segurança do Estado.

Segundo a assessoria do órgão, a posição do Incra é que, em pertencendo à extinta Rede Ferroviária Federal, o imóvel passaria automaticamente para posse da União e, em cumprimento ao Estatuto da Terra, teria de ser prioritariamente destinada à reforma agrária.

No final da tarde, o órgão divulgou nota onde reafirma a irregularidade da liminar de despejo e da atuação da prefeitura de Limeira no caso

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