Romaria de apoio a frei Luiz reúne 6 mil pessoas





















“Estou esperando uma manifestação do governo”,
enfatizou o religioso que entra em seu 16º dia de greve de fome; jejum durou 11 dias em 2005


Uma romaria de seis mil pessoas manifestou, neste domingo (9), apoio a frei Luiz Flávio Cappio em seu protesto contra a transposição do rio São Francisco. O ato ecumênico em defesa do Velho Chico, realizado em Sobradinho (BA), reuniu comunidades tradicionais, trabalhadores ligados a organizações sociais e movimentos populares, além de pessoas ligadas à Igreja e representantes de partidos políticos.

Nesta quarta-feira (10), o religioso entra em seu 16º dia de greve de fome. O primeiro jejum de frei Cappio, em 2005, durou 11 dias e foi interrompido após um acordo negociado com o presidente Lula, que prometeu abrir um diálogo nacional sobre políticas alternativas para o Semi-Árido e o rio São Francisco. O religioso retomou a greve de fome porque o acordo não foi cumprido e que o governo decidiu começar as obras do megaprojeto com o Exército .

Frei Luiz voltou a dizer que espera um fim positivo para sua manifestação. “O protesto não tem relação apenas com a minha vida, mas com a dos milhares de nordestinos que têm o rio como meio de vida”, afirmou o religioso à imprensa. “Estou esperando uma manifestação do governo”, enfatizou.

A estratégia do Planalto, no entanto, tem sido evitar o diálogo e trabalhar para silenciar o protesto de frei Luiz (leia artigo). Segundo a Folha de S. Paulo, auxiliares do presidente Lula estão preocupados com a repercussão do protesto e procuraram a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para pedir ajuda a convencer o religioso a interromper a greve de fome. Uma das sugestões era a de que o próprio presidente Lula fizesse um contato direto com o frei após a votação da emenda que prorroga a CPMF até 2011, no Senado.


Fé na união

Durante a romaria, frei Cappio permaneceu a maior parte do tempo sentado dentro da sacristia, conversando com as pessoas que vinham prestar solidariedade. “Fisicamente posso me sentir bastante combalido, mas meu espírito está forte”, afirmou, acrescentando: “Eu não coloco fé nos homens, a fé que nos move é a união que temos para continuar nossa luta”.

Representantes de organizações sociais expressaram apoio à luta do religioso. “A atitude do frei Cappio vem no sentido da revitalização da Bacia do São Francisco. Não existe revitalização com a transposição”, afirmou Tomáz Matta Machado, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Os participantes da Romaria vaiaram o presidente estadual do PT, Marcelino Galo, que em discurso propôs atuar como interlocutor com o Planalto.

Os manifestantes seguiram, ao final do dia, para as margens da represa da hidrelétrica de Sobradinho. Camponeses, pescadores e outros levaram sementes e água. Frei Luiz também participou do ato e, de modo coletivo, fez orações para benzer água, sementes, rio e a todos os presentes. Em seguida, todos jogaram um pouco de água para o rio, como simbologia de dar um gole d’água ao São Francisco.




Exército

A celebração de encerramento foi acompanhada por militares da infantaria do Exército. Segundo a Folha de S. Paulo, soldados bloquearam a pista sobre a barragem de Sobradinho e impediram a passagem da romaria.

Um dos pedidos do frei Luiz para dar fim ao jejum, iniciado dia 27 de novembro, é a retirada imediata do Exército da área da tomada de águas dos eixos Norte e Leste, em Petrolândia e Cabrobó, Pernambuco. Segundo a Articulação São Francisco Vivo, grupos de apoio ao bispo chegaram de todo o interior da Bahia e de outros oito Estados (Alagoas, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins), além do Distrito Federal.

por jpereira — da Redação do Jornal Brasil de Fato

Leia Mais

Dirigente nacional do MST é baleado em ação de despejo em Limeira (SP)


Gilmar Mauro (foto) e pelo menos mais dois integrantes do movimento foram hospitalizados após ação de despejo da tropa de choque em Limeira, a 154 km de São Paulo. A área em litígio, reivindicada pela prefeitura, pertence à União, afirma Incra.

Verena Glass - Carta Maior

SÃO PAULO - Na manhã de quinta feira do dia 29 de Novembro, uma ação de despejo da tropa de choque da Polícia Militar contra cerca de 250 famílias de sem-terra ligadas ao MST deixou vários feridos e destruiu barracos e lavouras em Limeira, interior de São Paulo. Um dos feridos foi o dirigente nacional do movimento, Gilmar Mauro, que teve a orelha praticamente decepada por um tiro.

Do hospital, para onde foi encaminhado com mais dois sem-terra – atingidos na cabeça e no pé –, Mauro afirmou que a ação foi uma “verdadeira operação de guerra”. “A tropa de choque sobrevoou o acampamento com helicópteros, jogou bombas em mulheres e crianças, feriu muita gente, foi um absurdo. Não sabemos ainda quantos foram atingidos, mas foi muita gente. Arrebentaram a minha orelha, sorte que ela ainda ficou presa na cabeça e pode ser costurada no hospital”, relata o dirigente do MST.

Até o início da tarde, depois de receberem da polícia um prazo de duas horas para retirarem todos os seus pertences do acampamento antes da destruição definitiva dos barracos, os sem-terra não sabiam ainda para onde seriam encaminhados, e estavam esperando a chegada do superintendente do Incra do estado, Raimundo Oliveira, para resolver a situação. Já por volta das 16:00 h, cerca de 200 militantes do MST trancaram a Rodovia Anhanguera na altura do km 315, em Ribeirão Preto, em protesto contra a violência policial.

Despejo irregular
De acordo com Claudia Praxedes, membro da direção estadual do movimento, o terreno onde estava o acampamento (conhecido como Horto Florestal Tatu, mas que não é uma área de conservação ambiental), ocupada há sete meses, pertence à União e já e está em processo de destinação, pelo Incra, à reforma agrária. Segundo o MST, a reintegração de posse foi solicitada pela prefeitura de Limeira – que nunca deteve a posse da área, onde vinha despejando o lixo da cidade – e concedida na última terça (27).

A irregularidade da liminar foi reafirmada, ainda de acordo com o movimento, pelo próprio Incra, que teria assegurado que o despejo não ocorreria e que até quarta buscou, sem sucesso, negociar com a Justiça e a Secretaria de Segurança do Estado.

Segundo a assessoria do órgão, a posição do Incra é que, em pertencendo à extinta Rede Ferroviária Federal, o imóvel passaria automaticamente para posse da União e, em cumprimento ao Estatuto da Terra, teria de ser prioritariamente destinada à reforma agrária.

No final da tarde, o órgão divulgou nota onde reafirma a irregularidade da liminar de despejo e da atuação da prefeitura de Limeira no caso

Leia Mais