Rematrícula: você também está nessa?
A cada seis meses os estudantes das Universidades privadas passam pelo humilhante processo de rematrícula – processo de renovação da permanência do estudante, no qual somente aqueles que estiverem com o pagamento das mensalidades em dia conseguem continuar os estudos, os demais são excluídos automaticamente. Cria-se aí uma multidão de excluídos da educação superior que, além de não conseguirem concluir seus estudos, estão endividados e sofrendo ações judiciais.
Na UNISO, o cenário que se desenha hoje é ainda pior. Até o final de 2006, havia por parte da universidade uma tentativa de “diálogo”, que possibilitava uma maior chance de se chegar a um acordo e, com isso, garantir a rematrícula.
No entanto, desde então, a universidade vem endurecendo todo o processo de negociação e abrindo processos na Justiça contra os alunos inadimplentes. São vários os casos de “desistência” motivados pelas dificuldades financeiras impostas.
Fica evidenciado o antagonismo entre o discurso e a prática da universidade. De um lado, a UNISO propaga a idéia de universidade comunitária e sem fins lucrativos. No entanto, por outro lado, mercantiliza a relação com os estudantes, tratando-os como meros consumidores. A opção que se tem é: vai pagar com cartão, dinheiro ou cheque?
UNISO: boicota quem transforma
O DCE “Capucho” esteve presente no 50º Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE), realizado entre os dias 4 e 8 de julho, na cidade de Brasília. Nossa delegação, que contava com 8 delegados e dezenas de observadores, também havia participado do Congresso da União Estadual dos Estudantes (CONUEE), que aconteceu em Serra Negra , no mês de junho.
Nos dois congressos, defendemos uma tese que se posiciona contra as reformas neoliberais do Governo Lula, especialmente a Reforma Universitária, que irá mercantilizar ainda mais o ensino superior e sucatear a educação pública. Também nos contrapomos á burocratização das entidades de representação estudantil, ou seja, da UNE e da UEE.
Nossas participações também foram marcadas por dificuldades decorrentes do boicote da reitoria aos ônibus que transportaram os estudantes. Mesmo com um acordo firmado entre a universidade e o DCE, que garantia o pagamento do transporte para os dois congressos, tais compromissos não foram cumpridos.
Já no primeiro Congresso, o da UEE, tivemos que realizar um grande esforço para que o pagamento fosse efetivado. A situação piorou nos preparativos para o Congresso da UNE: a reitoria afirmava (e ainda afirma) que não existe acordo algum. No entanto, conseguimos garantir o transporte com a mesma empresa que nos levou ao Congresso da UEE. Ainda assim, a UNISO continua negando o acordo que foi firmado. Com isso, sofremos constantes pressões por parte da empresa, que exige o pagamento do serviço.
Assim, queremos tornar público o descomprometimento da Universidade com seus estudantes. Ao vermos a UNISO avaliar como "despesa", mera contabilização de gastos, a participação dos estudantes nesses importantes espaços do movimento estudantil, cai a máscara de Universidade Comunitária, comprometida em "formar pessoas que transformam" e vemos em seu lugar a configuração de uma face cada vez mais mercantilizada.
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