
POSICIONAMENTO DO DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES “FRANCISCO ALVES CAPUCHO JR.” SOBRE AS MUDANÇAS NA MATRIZ CURRICULAR DOS CURSOS
Tendo em vista o diálogo aberto por essa reitoria, motivado pelas mudanças na matriz curricular dos cursos da UNISO, o Diretório Central dos Estudantes "Francisco Alves Capucho Jr." gostaria de expressar a análise que faz desse importante momento da Universidade de Sorocaba:
1. As Universidades Privadas nos últimos anos, numa tentativa de adequação à lógica do mercado - na corrida contra a concorrência e na busca infatigável de acelerar seu crescimento econômico – vêm enfraquecendo o seu compromisso com a educação, deteriorando a qualidade de ensino e o respeito aos professores e alunos.
Como resultado dessa movimentação mercadológica, temos a redução da duração dos cursos, a diminuição de disciplinas específicas, a proliferação de cursos tecnicistas, mensalidades com valores irreais, a demissão de professores de caráter resistente a essa lógica, dentre outras conseqüências. Nesse cenário, a matriz curricular torna-se um instrumento de doutrinação e alienação, alterada conforme as exigências do mercado, que na realidade é a face sorridente de um momento histórico, marcado por um imperialismo belicista e econômico e sua globalização no intuito de acelerar a acumulação de capital sem entraves de interesses nacionais históricos.
O modelo político-econômico neoliberal vem sendo aplicado por meio de reformas em todo o mundo. Na educação superior, 31 países da União Européia vêm seguindo os princípios da 'Declaração de Bolonha' desde 1999, com o propósito de compatibilizar sistemas de ensino superior, estimular o trânsito do corpo docente e discente e criar, até 2010, a “maior economia do conhecimento”. Tais princípios também estão sendo aplicados em algumas universidades privadas no Brasil. A necessidade dessa inserção está na concorrência de mercado do ensino privado, que através do marketing, do valor das mensalidades e da facilidade de frequência, querem atrair seu corpo discente, ou, melhor dizendo, “consumidores”. Sendo assim, temos um modelo de ensino totalmente voltado para fins lucrativos baseado na concorrência - elemento destrutivo intrínseco à lógica capitalista. Desse modo, o modelo educacional ideal é o que propicia a sobrevivência e o crescimento das intituições, na lógica do lucro.
2. Em nosso entendimento, a reitoria mais uma vez desrespeitou o corpo discente e docente da universidade com a não divulgação adequada da questão e da ampliação à participação dos alunos no debate.
As propostas de alteração deixam evidente o caráter mercadológico que os cursos vêm adquirindo através de mudanças na grade curricular ao longo dos anos. A queda da qualidade de ensino vem sendo o principal sintoma dessas mudanças.
Propomos a ampliação do debate, tanto no que diz respeito ao tempo de discussão quanto na participação mais ampla de alunos, professores, coordenadores e reitoria.
Uma discussão realmente democrática, que respeite e ouça igualmente todos os envolvidos.
DCE Capucho
1 comentários:
domingo, julho 01, 2007 8:47:00 PM
Legal é isso mesmo!
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