
Decisão foi tomada depois que a reitoria descumpriu acordo e não enviou representante para participar de audiência com os alunos. Segundo os manifestantes, a imprensa corporativa mente ao afirmar que o patrimônio da Universidade foi depredado
Renato Godoy de Toledo
da redação do Brasli de Fato
Após algumas frustradas tentativas de diálogo com a reitoria, cerca de 400 estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam, na última quinta-feira (03), a reitoria da instituição. A principal reivindicação dos alunos é que a reitora, Suely Vilela, se posicione publicamente sobre os decretos do governador José Serra (PSDB), que atacam a autonomia universitária e retêm verbas para o ensino superior.
Os decretos do governador submetem as reitorias das três universidades paulistas ao Secretário de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti. O movimento estudantil também exige mais verbas para a assistência estudantil.
A ocupação foi decidida após uma audiência no anfiteatro da História. Contrariando o que havia sido acordado, a reitoria não enviou nenhum representante para debater com os estudantes as reivindicações.
Os alunos criaram um blog (http://ocupacaousp.blog.terra.com.br/) para esclarecer a opinião pública acerca das pautas do movimento e se defender de informações infundadas veiculadas na imprensa corporativa. Alguns jornais publicaram que os estudantes depredaram a reitoria. O blog dos estudantes desmente, com fotos, as ações de vandalismo e explica que apenas uma porta de vidro foi quebrada no ato da ocupação, em função da segurança ter impedido a entrada dos manifestantes.
A estudante de Ciências Sociais, Flávia Duwe, disse que a perspectiva do movimento é de manter a ocupação até que a USP atenda às reivindicações. Uma audiência com representantes da reitoria (a reitora da USP está na Espanha) ocorreu na manhã de sexta-feira (04), mas, para os estudantes, não foi produtiva. "Eles foram muito evasivos e se negaram a assinar documentos e firmar compromissos", afirma.
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