Movimentos fazem balanço positivo dos atos do dia 23; marcha para Brasília está prevista para agosto
Renato Godoy de Toledo
da redação Brasil de Fato
Dirigentes das entidades que organizaram os atos do dia 23 têm uma posição semelhante ao avaliar as mobilizações: elas foram extremamente positivas, superaram as expectativas, mas ainda não conseguiram aglutinar uma boa parcela da classe trabalhadora. Daí a necessidade de dar continuidade ao movimento.
Para José Maria, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), o movimento por nenhum direito a menos pode ter inaugurado uma nova etapa na luta de classes. “Não víamos esse processo de unidade desde o Fora Collor (1992). Foram muito positivas as mobilizações, conseguimos paralisar diversos setores”, avalia. O dirigente acredita que, para chamar uma parcela maior de trabalhadores, é necessário casar as pautas específicas, de categorias e regiões, com a luta geral contra reformas que retirem direitos dos trabalhadores.
O coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), Luiz Dalla Costa, também louvou a atuação dos movimentos no dia 23. “A atuação do MAB foi muito boa nos estados, demonstrou a maturidade da base do movimento e respondeu ao chamado”, afirma.
O vice-presidente da CUT e membro da Corrente Sindical Classista, Wagner Gomes, acredita que as mobilizações superaram as expectativas dos organizadores. Ele prevê que haverá um esforço coletivo das entidades para realizar novas mobilizações. “Está claro que, no governo Lula, ou o povo sai para a rua e faz pressão para garantir suas reivindicações, ou elas não se concretizam. E o movimento fez isso: botou o povo na rua”, analisa.
Uma reunião entre as organizações está prevista para o próximo dia 30 de maio para decidir novas datas de mobilizações . “Um grande momento para realizar atos seria durante os Jogos Pan Americanos (de 13 a 29 de junho, no Rio de Janeiro). A perspectiva é realizar uma marcha em Brasília, no fim do mês de agosto, para isso pretendemos mobilizar dezenas de milhares de trabalhadores”, anuncia Zé Maria.
Para o dirigente da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, a unidade deve ser feita, mas com “aqueles que querem lutar, não segurar”. “O desafio é construir unidade para defender direitos. Não aceitaremos reformas que os retirem”, garante.
Cobertura da imprensa
A imprensa corporativa, em geral, tentou restringir a pautas das mobilizações, classificando-as como apenas “contra a Emenda 3”. No entanto, a Rede Globo, em campanha a favor da Emenda 3, nem sequer citou a emenda, se furtou apenas a qualificar os manifestantes como “vândalos” e “agressores”.
“A imprensa tentou primeiro esconder o movimento, mas como não conseguiu, tentou deturpar as reivindicações. Mas a população sabe que o movimento foi contra uma possível reforma da Previdência, formulada pelo ministro (Luís) Marinho, por mudanças na política econômica, pela reforma agrária e contra a Emenda 3”, explica Wagner Gomes.
Balanço das mobilizações
Segundo um levantamento do MST, no dia nacional de lutas por nenhum direito a menos, foram bloqueadas 39 estradas, em 9 estados. O Movimento de Atingidos por Barragem (MAB) ocupou hidrelétricas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pará. Neste último estado, cerca de 200 manifestantes mantêm a ocupação na hidrelétrica de Tucuruí. A Conlutas divulgou em sua página na internet que, em todo o Brasil, 1,5 milhão de trabalhadores participaram dos atos do dia 23. (Com informações da Agência Carta Maior)
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