
Parlamentares passarão a receber R$ 16,5 mil; enquanto isso, salário mínimo é de R$ 380, mas deveria ser de R$ 1.672 para cumprir o que determina a Constituição
10/05/2007
Os protestos desencadeados pela população, em dezembro de 2006, contra o reajuste de 91% para os parlamentares, conseguiram tirar o assunto da pauta de discussões do plenário. No entanto, na madrugada da quarta-feira (9), com a opinião pública voltada para a visita do Papa Bento XVI, a Câmara aprovou o reajuste para deputados, presidente da República, vice-presidente e ministros. O índice de reajuste foi reduzido para 28%, sendo assim, os deputados - que atualmente recebem R$ 12,9 mil - passarão a ganhar R$ 16,5 mil.
O salário do presidente Lula que é de R$ 8.885 reais, aumentou para R$ 11.420. O vice-presidente e os ministros receberam um aumento de mais de R$ 2 mil - atingindo o valor de R$ 10.748 . Com a aprovação deste reajuste a Câmara ficará com uma despesa anual de R$ 130 milhões, destinados somente aos salários dos parlamentares. Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), publicado em 2004, mostrava que já, naquela época, os salários dos deputados brasileiros chegavam a 16 vezes mais que a média nacional.
Desde o dia 1° de maio deste ano, o salário mínimo no Brasil passou a ser de R$ 380. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento real é de apenas 5,41%. De acordo com as pesquisas, para que o salário mínimo atenda às necessidades previstas na Constituição o valor do mínimo deveria ser cerca de R$ 1.672 reais, valor 4,4 vezes superior ao atual salário.
Gisele Barbieri
de Brasília (DF)
(Rádioagência NP)
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