Campo Domínio Público, o movimento estudantil em ação:

Mais de 500 estudantes, paralisam FKB (Faculdades Karnig Bazarian) em Itapetininga.

O coletivo de educação “Viva Che” formado por estudantes de Itapetininga (majoritariamente por estudantes da FKB) em conjunto com o campo do movimento estudantil “Domínio Publico”(01), realizou uma grande manifestação dia 10 de maio às 21 horas na cidade de Itapetininga.

Os estudantes exigiam o fim dos processos de expulsão movidos pela diretória da faculdade contra três militantes do movimento estudantil, a redução das mensalidades, retirada imediata das câmeras de vídeo instaladas em sala de aula, compromisso de não cobrança do estacionamento na instituição além de varias questões especificas de diversos cursos. O ato fez ainda, uma grande critica a diretoria do DCE da FKB que ficou omisso durante todo processo.

Por volta das 21 horas se iniciou a concentração do ato, seguindo com uma passeata por toda FKB, tendo por objetivo ocupar a sala do diretor, e assim conseguir dialogar com a instituição. A adesão foi praticamente total, por volta de 500 estudantes participaram do ato. Por volta das 22h30min min, a diretória cedeu e enviou um representante para dialogar com os estudantes.
Varias pontos da pauta já foram conquistados, porém, os estudantes aguardam repostas as demais solicitações, sendo que esta marcado um outro grande ato com caráter mais intenso caso sejam negadas as exigências.

A ação organizada do coletivo “Viva Che” e a presença do campo “Domínio Público” através de representantes do movimento estudantil da USP e Uniso em todo processo do ato, foram fatores que contribuíram para o sucesso da ação, que representou um passo histórico na luta contra a mercantilização e o autoritarismo na educação superior de Itapetinga.

Nota:
01- O campo Domínio Público é uma proposta de organização alternativa para o movimento estudantil, sendo composto por diversos CA’s, DCE’s e estudantes de várias partes do país, incluindo o DCE- Capucho da Uniso.

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O espiral da barbárie e a mobilização das classes populares

(Plínio de Arruda Sampaio )
Na sociedade, tal como na natureza, certos processos são cumulativos, manifestando-se unicamente após um determinado número de ocorrências. Geralmente, as primeiras manifestações são menos graves. Um pequeno inchaço inexplicável em alguma parte do corpo sinaliza um processo alérgico a ser detectado antes que surtos futuros provoquem sérios danos. Mas é comum desconsiderar os primeiros sinais até que o evento que marca a explosão do processo com toda sua virulência.

O desafio que o crime organizado lançou ao governo do Estado de São Paulo precisa ser analisado a partir desta perspectiva. Ele evidencia a existência, na sociedade paulista, de um acúmulo de fatores que corroem as instituições públicas e as tornam ineficazes. Não é nenhum exagero dizer que, se esses fatores não forem identificados e removidos, a instalação de uma estado de caos social, muito maior do que o atual ataque do PCC em São Paulo, é apenas uma questão de tempo.

Infelizmente, em vez de atentar para a gravidade do risco que a sociedade paulista está correndo, os partidos da classe dominante estão usando o episódio para fazer politicagem. Uns propõe um acordo por cima para evitar críticas, outros travam uma guerrinha política menor - um acusando o outro de imprevidência, falta de energia e outras críticas do mesmo teor.

Ora, isto tudo é o irrelevante diante do tamanho do atrevimento dos bandidos. Nem na Chicago de Al Capone, os gangsters tiveram a ousadia de atacar diretamente a Polícia. Comparável com o que aconteceu em São Paulo, só a investida de Pablo Escobar contra o governo de Gavíria, na Colômbia.

Se as pessoas estão de fato horrorizadas com o que está acontecendo, a única atitude lógica é fazer um exame profundo da situação social do país e da deterioração moral de suas instituições e das pessoas que as dirigem. A partir desse diagnóstico é preciso ter a coragem de tomar medidas drásticas para deter o processo degenerativo antes que ele adquira uma velocidade incontrolável.

A estratégia correta para deter a escalada do crime organizado não consiste apenas em dotar a polícia de armas mais poderosas e em aumentar as penas das infrações criminais, mas, principalmente, de reestruturar de cima abaixo todo o aparelho repressivo do Estado, substituindo primitivos métodos de repressão adotados atualmente por métodos baseados nos recursos modernos da psicologia e em experimentos exitosos com a aplicação de penas mais humanas e mais eficazes. Essa revisão não pode deixar de abranger uma verdadeira devassa na vida dos integrantes dessas instituições, porque todos sabem que não há crime organizado sem conexões com altas autoridades do aparelho repressivo do Estado.

Mas nada disto terá efeito se a reestruturação do aparelho repressivo não for acompanhada por uma verdadeira reforma urbana, pois, como é conhecido de todos, a aglomeração de grande número de pessoas em habitações precárias, em espaços reduzidos e de vias de circulação estreitas, favorece a logística do crime e dificulta a vigilância policial.

Mas isto não basta. É fundamental que junto com essas medidas, o Estado ofereça educação e meios de um lazer saudável à juventude da periferia das cidades. Não é outra coisa o que essa juventude demanda, como o atestam as letras do “hip hop”.

A classe dirigente não tem condições de fazer esse diagnóstico e, menos ainda, de tomar essas medidas porque isto implicaria cortar na própria carne. Na verdade, ela só consegue pensar em mais truculência contra a truculência dos bandidos quando, na verdade, o problema só poderá ser resolvido quando a sua própria truculência for detida.

O aspecto dramático do ataque à Polícia é que ele revela a incapacidade da classe dominante para continuar dirigindo do Estado brasileiro. Como explicou Florestan Fernandes, essa classe social esgotou, há tempo, sua capacidade de exercer uma função civilizatória na sociedade brasileira (se é que algum dia a tenha exercitado plenamente). Precisa ser removida do poder, para que os problemas da Nação possam ser efetivamente solucionados.

Hoje, na sociedade brasileira, somente entre as camadas populares existem energias morais e espirituais para civilizar a repressão e reduzir o crime. O primeiro passo, portanto, consiste em mobilizá-las para conquistar o controle do poder político da Nação.

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DCE Capucho debates.


Educação Superior: A Encruzilhada do Mercado

Gilson Amaro: Estudante de Filosofia – Coordenador do DCE “Francisco Alves Capucho Jr.” Uniso e coordenador do Campo Domínio Público


A expansão do Ensino Superior Privado (que representa hoje 88% do total de Universidades no Brasil) esta aprofundando o processo de mercantilização da educação (1) consolidando assim, a falsa tese de que somente o tecnicismo e a cultura competitiva da sociedade de mercado são paradigmas aplicáveis às universidades. Reforça-se deste modo o mito da educação superior como mola para ascensão social. Assim ela é propagada com um produto que possibilita a elevação do status social. O impacto desta visão na educação superior em nosso desigual país é no mínimo desastroso. Grande parte da população que é excluída das Universidades Públicas se insere a duras penas, neste universo educacional privado, caro e de baixa qualidade, que serve mais para gerar lucro do que propriamente realizar a formação superior.

Devido ao caráter estratégico da Educação Superior, não podemos iniciar um debate a respeito das IES, sem entendermos às finalidades ideológicas da Educação. Por isso devemos esclarecer que o atual modelo educacional faz parte de uma concepção, capitalista neoliberal da educação, que parte do centro do capitalismo mundial sendo regulamentada pela OMC (Organização Mundial do comercio), portanto o atual modelo é a defesa de uma concepção ideológica da educação como mercadoria. Faz-se necessário ainda esclarecer que tanto o sucateamento da Educação Pública, como a ascensão dos “cursões” pagos são questões políticas, portanto estão inseridas neste projeto de sociedade, no qual os grupos dominantes beneficiários deste modelo o defendem e constroem.

Dentre às várias características que são comuns às IES privadas (tanto às comunitárias, como às abertamente mercadológicas), destacarei algumas para compreendermos melhor a ligação dessas Instituições com a reprodução da autoritária sociedade de mercado: todas são marcadas por um grande autoritarismo das reitorias e coordenações de curso, falta de representatividade discente, baixo ou inexistente nível de organização dos professores (em virtude de perseguições políticas e demissões), cursos de curta duração, rebaixamento dos componentes curriculares, educação à distância, altas mensalidades, ausência de pesquisa e extensão, além de obviamente um constante combate ao movimento estudantil, isto, quando este consegue se organizar. Estas são apenas algumas questões que revelam o quadro cotidiano destas universidades.

Às políticas recentemente implementadas no ensino superior a exemplo do Prouni, bem como a proposta de Reforma Universitária surgem no sentido de aprofundar a inversão da educação de direito para mercadoria. São políticas que operam dentro de uma estratégia de construção ideológica para uma nova significação da educação, reforçando o mito da inclusão social e consagrando a mercantilização. Porém as contradições são implacáveis, a média de inadimplência nas universidades pagas fica por volta de 35% do total de estudantes. Assim o Prouni e outros projetos de financiamento são salvaguardas para os empresários da educação continuarem lucrando muito, porém, mesmo assim eles buscam reduzir cada vez mais “custos” cortando mestres e doutores, reduzindo a duração dos cursos, ou seja, o importante é o lucro e não a educação. Ao mesmo tempo, que criam um mercado (por sinal muito lucrativo), atendem às demandas do cada vez mais restrito mercado de trabalho, fornecendo mão de obra barata e especializada que ainda passa pela escravidão do estágio.

As críticas as iniciativas como o Prouni fazem-se necessárias, pois, a defesa destas políticas, se utiliza de argumentos superficiais, imediatistas além de falsas estatísticas. Vale ainda lembrar, que a cultura politiqueira oportunista, que é hegemônica em nosso país, vive da administração da miséria, com a Educação não é diferente e o PROUNI vem somar esta constatação. Afinal usa-se o sonho da formação universitária e o mito da inclusão para desmontar a educação publica brasileira, quando a solução seria um sólido investimento na educação pública.

Ao Movimento Estudantil cabe combater este projeto de sociedade e Educação, com a compreensão que a luta em defesa de uma Educação Pública, gratuita e de qualidade passa pela organização do ME nas instituições pagas. A mercantilização do ensino é um fenômeno comum a Educação nas IES, privadas e públicas, assim a superação desta realidade deve ser feita conjuntamente, com uma perspectiva estratégica para a construção de um novo projeto para o Brasil que rompa com atual lógica mercantilista da educação.

Notas:
01- Em setembro de 1998, através de um documento então considerado como restrito (WTO-1998-Council for Trade Services- Background Note by the Secretariat- SCW49- 23.09.98), o secretariado da OMC defendia a tese –em realidade um grande sofisma- segundo o qual desde que permita a existência de provedores privados na educação, os governos aceitam o princípio de que a educação, e em particular a educação superior, pode ser tratada como serviço comercial e, em consequência, deve ser regulamentada no quadro da OMC... Em 1999, o secretariado da OMC definiu explicitamente os serviços regulamentados pelo AGCS(Acordo Geral de Comércio de Serviços), incluindo aí a educação (Introduction à l'AGCS- octobre 1999). A partir de 2000, esta organização lançou negociações para a liberalização dos serviços educativos. (Extraída do artigo: Educação Superior bem público ou serviço comercial regulamentado pela OMC.Professor Marco Antonio R. Dias /Assistente especial do reitor da UNU /Ex-diretor da Divisão de Ensino Superior da UNESCO-2002)

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