Robin Hood às avessas!

Organizações sociais denunciam mecanismo de espoliação da dívida externa e, ao mesmo tempo, declaram os povos como legítimos credores

Luís Brasilino,Enviado especial a Caracas (Venezuela) fonte: www.brasildefato.com.br
Os países de primeiro mundo criaram uma fórmula eficiente de transferir renda dos países pobres direto para seus cofres. A dívida externa. No 6° Fórum Social Mundial de Caracas (Venezuela), os movimentos sociais fizeram um grande esforço para mostrar à opinião pública que os países chamados de terceiro mundo é que são os credores.
Segundo o cientista político José Augusto Pádua, da Aliança de Povos do Sul Credores da Dívida Ecológica, a origem da dívida está relacionada com o colonialismo de 500 anos atrás. "Na América Latina, os países não nasceram como países, mas sim como colônias de exploração ecológica e humana", analisa Pádua. Segundo ele, essa relação é fundamental para se compreender o que é o chamado primeiro mundo hoje.
O haitiano Camille Chalmers, secretário executivo da Plataforma para o Direito a um Desenvolvimento Alternativo no Haiti, explica que, atualmente, a transferência dos ricos para os pobres ocorre de quatro formas: pagamento dos serviços da dívida externa, regras comerciais que obrigam países de terceiro mundo a exportar certos produtos (no Brasil: a soja, o minério de ferro etc.), a remessa de lucro das transnacionais para a suas sedes e a fuga de jovens que vão em busca de melhores salários no centro do capital.


Impagável

Os países "do Sul" constituem aquilo que se chama de sobreendividados. O historiador belga Eric Toussaint, diretor do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), informa que de 1980 a 2004, a dívida externa dos países latino-americanos e caribenhos passou de 243 bilhões de dólares para 773 bilhões de dólares. Nesse mesmo período, essas nações gastaram 2,109 trilhões de dólares com serviços desses empréstimos. Números divulgados pelo Banco Central brasileiro mostra que a nossa dívida em 2005 também continuou crescendo, mesmo com o país deixando de investir em áreas fundamentais, como educação, saúde e infra-estrutura (veja quadro).
"A dívida é um instrumento de dominação. Presos a esse pagamento, muitas vezes, somos obrigados a aceitar propostas de ajuste estrutural de instituições financeiras multilaterais (IFMs), como abertura comercial, privatizações, flexibilização de direitos trabalhistas e da seguridade social", analisa Sandra Quintela, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs).
As organizações sociais propõem a interrupção do pagamento da dívida externa. "Quando dizemos isso, sempre alguém diz que o aporte de recursos financeiros cessaria. Ora, mas é a América Latina que financia seus credores", protesta Toussaint. Segundo o historiador, os beneficiários desse círculo vicioso são bancos, transnacionais, governos de países "do Norte" e elites locais, que colocam seu dinheiro no exterior e compram títulos da dívida de seus próprios países. "Por isso, não querem o fim do pagamento dos serviços. Eles não são as vítimas, são os cobradores", indica Toussaint.
Propostas

De acordo com o belga, com a exceção da Venezuela, os países latino-americanos têm suas reservas nos Estados Unidos, onde são remuneradas em 3%. No entanto, pegam empréstimos de bancos estadunidenses que cobram 9% de juros. "Assim, proponho a criação de um banco continental (América Latina e Caribe) e de um fundo comum para evitar ataques especulativos. Não há garantia de que esse modelo não repetiria o modelo atual, mas a carta magna precisaria ser muito bem feita e respeitada. Ao menos, implicaria na saída da esfera de controle das IFMs", reflete Toussaint.
Um outro passo que precisa ser dado pelos movimentos é cobrar a realização de auditorias da dívida externa. No Brasil, o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Unafisco) tomou para si esta tarefa e descobriu que das 815 resoluções do Senado Federal que aprovaram empréstimos de endividamento junto ao exterior, apenas 238 podem ser encontradas. Nenhuma da época da ditadura. Camille Chalmers diz que o povo não tem o que represálias se essas propostas fossem adotadas. "Não pode ser pior do que já fazem com quem paga", decreta.

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Tarifas de ônibus concentram renda!


Luís Brasilino da Redação- (Fonte: Jornal Brasil de Fato)

O gasto com transportes já representa a terceira maior despesa dos brasileiros, como mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2002-2003. Nas cidades, corresponde a 15% de tudo o que ganham. Fica atrás apenas de habitação (30%) e alimentação (16%), à frente dos gastos com vestuário (5%), assistência à saúde (5%), educação (4%) e recreação e cultura (2%).Nessa conta, o IBGE considera o transporte urbano (ônibus, táxi, metrô, trem, barca e transporte alternativo), gasolina e álcool para veículo próprio, manutenção de veículo próprio, aquisição de veículos, despesas com viagens (avião, ônibus, etc.) e outros (estacionamento, pedágio, acessórios para veículos e seguro obrigatório).Todos esses índices seguem um mesmo padrão: quanto mais a família ganha, mais gasta. Por exemplo, em média, uma família com rendimentos entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil coloca 3,15% do seu dinheiro na aquisição de veículos. Já as famílias com renda superior a R$ 6 mil costumam investir 8,21%.Além disso, há outro indicador importante. Em relação ao transporte urbano, quanto mais pobre é a família, maior é o gasto mensal com essa despesa. Quem tem renda variando de R$ 400 a R$ 1,6 mil gasta mais de 3% dos seus rendimentos. Já na faixa entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, percentual cai para 2,52%; até chegar a 0,87% para famílias com renda acima de R$ 6 mil. Ou seja, a redução das tarifas do transporte público distribui renda ao permitir que a população de baixa renda invista seu dinheiro em outros serviços, tais como alimentação ou educação.

ESPOLIAÇÃO DO TRABALHADOR

“O passe livre não deve ser pensado apenas em função do deslocamento casa-escola. A educação da juventude não pode e nem deve ser confundida apenas com sua escolarização. O passe livre deve garantir também o deslocamento dos estudantes para outros espaços além da escola onde se dê sua formação cultural: estádios de futebol, quadras de esporte, casas de espetáculos, praças públicas, cinemas, teatros, bibliotecas, etc.”, argumenta Manolo, do Movimento Passe Livre de Salvador (BA).No entanto, nos últimos dez anos, o processo que ocorreu foi o inverso: as tarifas do transporte público só aumentaram em relação a inflação, como mostra estudo do Ministério das Cidades. O levantamento mostra que, entre 1994 e 2003, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acumulou 122,9% de aumento, mas as tarifas de ônibus urbanos em São Paulo tiveram alta de 240%. As de Florianópolis, Fortaleza, Manaus e São Luís subiram 275%. Já as de Salvador e do Rio de Janeiro ficaram 328,6% mais caras. O aumento foi, ainda, de 382,8% em Teresina e de 400% em Porto Velho e Rio Branco. “O impacto desses aumentos na renda dos trabalhadores, diante deste descompasso com índices inflacionários bastante usuais nas negociações salariais, é mais que evidente”, protesta Manolo.Tomás Moreira, coordenador do Instituto Cidade em Movimento e de Planos Diretores do Instituto Pólis, assegura que a gestão dos transporte no Brasil é certamente concentradora de renda. “Onde há mais qualidade e acesso à mobilidade é onde há mais riqueza. É só ver onde tem metrô, ônibus e trem. É no mesmo lugar onde muitos dos habitantes têm transporte próprio. Ora, deveria ser ao contrário”, observa Moreira.Para ele, na maioria das cidades, a privatização agravou esse quadro, apesar de seus efeitos estarem diretamente relacionados com a gestão pública e sua relação com as empresas de transporte. A busca pelo lucro leva os empresários a disputar as linhas centrais e desprezar as periféricas. Para maximizar os investimentos, superlotam e precarizam os veículos - além dos aumentos nas tarifas.Segundo Moreira, o certo seria o trabalhador não pagar o transporte, mas sim o empregador. No entanto, ele vê no Bilhete Único, implementado em São Paulo (SP) em 2004, uma proposta intermediária interessante. Num intervalo de duas horas, o passageiro pode pegar a quantidade ônibus que precisar. Moreira garante que isso reduziu a quantidade de pessoas que se deslocam a pé por falta de acesso ou dinheiro - parcela equivalente a 40% da população, segundo estudo divulgado em 2005 pelo Ministério das Cidades.

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A educação vira simples mercadoria


Estudo da Ação Educativa mostra como o Banco Mundial influencia as políticas públicas em educação

Igor Ojeda da Redação O Banco Mundial (BM) não esconde o que pensa. Para este organismo multilateral que se propõe a ajudar o desenvolvimento dos países pobres, a educação deve ser considerada um serviço como outro qualquer. Ou seja, passível de ser comprado por seus consumidores. E é através de financiamento de projetos em nações periféricas que o BM busca influenciar ­ com sucesso ­ os responsáveis pelas políticas públicas do setor. O dossiê Banco Mundial em Foco, elaborado pela Organização Não-Governamental (ONG) Ação Educativa, com apoio da ActionAid Brasil, mostra como isso vem acontecendo no Brasil e em alguns países da América Latina. "No Brasil, os projetos financiados pelo Banco Mundial com impacto na educação continuam a ocorrer, sem um acompanhamento sistemático por parte da sociedade civil", diz o estudo. Para piorar, tal impacto é negativo.
AÇÃO NO BRASILAtualmente, existem quatro projetos em educação financiados pelo Banco Mundial no país: O Fundo de Fortalecimento da Escola III (Fundescola III) ­ que atende às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; a fase 2 do Programa de Educação da Bahia, o Projeto Escola Novo Milênio, no Ceará, e o Projeto Integrado de Desenvolvimento e Melhoria na Qualidade da Educação de Pernambuco (Eduq). Juçara Dutra, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, cita um exemplo da interferência do BM em entrevista realizada para a elaboração do estudo da Ação Executiva: a instituição das Unidades Executoras (UEx), entidades de caráter jurídico privado que têm a finalidade de receber e aplicar os recursos financeiros transferidos pelo governo federal. "Esta medida colide com a capacidade gestora dos agentes escolares, em especial dos conselhos das escolas, bem como agride a autonomia da gestão pública dentro de um recinto de natureza essencialmente pública", diz. De fato, aponta a ONG, há uma "sobreposição das medidas associadas aos projetos do Banco e as políticas públicas em vigor em determinado local, com as quais podem estar tanto em sintonia como em divergência, ou até mesmo em oposição".Quando o caso é de divergência ou oposição, a atuação do BM provoca o desmonte ou enfraquecimento das políticas de Estado. O Fundescola, por exemplo, prevê 15 pontos a serem implementados. Pontos que, segundo o dossiê, poderiam, em conjunto, serem considerados uma reforma educacional local, batendo de frente com as políticas das secretarias e do Ministério da Educação (MEC).CUSTOS MÍNIMOS"No Ceará, o Banco exerce uma influência sobre o sistema. Exige uma política de reordenamento de toda a rede como forma de diminuir os custos. Aí entra a visão economicista, que não é focada em direito", conta Salomão Ximenes, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca), e da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Escolas tradicionais foram fechadas, outras transferidas para a rede municipal.Outro motivo de preocupação é a falta de democracia na discussão dos projetos. Segundo o texto da Ação, os programas dos governos federal e estaduais que recebem financiamento do Banco "têm sido formulados e negociados com pouca participação, supervisão e interferência das diversas organizações da sociedade civil brasileira". Nem mesmo os Estados eram consultados, como diz o senador João Capiberibe (PSB-AP), que era governador do Amapá quando o projeto começou a ser implementado. "As normas do programa não eram discutidas com o Estado, mas era exigido o seu cumprimento", aponta Capiberibe, acrescentando que o projeto não levava em conta o saber prévio dos alunos e de sua comunidadesGOVERNO LULAAinda de acordo com o ensaio, o governo Lula representou uma ruptura com a política educacional da era Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), alinhada às orientações do BM. Um exemplo é a luta pela implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) ­ que abarca a educação básica como um todo ­ como uma das prioridades. No entanto, o estudo pondera que os investimentos na área continuam muito restritos. "Na gestão do Paulo Renato (ministro da Educação do governo FHC), para além da influência, havia um alinhamento. No governo Lula, a concepção é outra, é a da educação como um direito. E os projetos acabam funcionando em lugares pontuais. Claro que o ideal seria que nesses lugares os projetos fossem discutidos mais abertamente com a sociedade e com as comunidades", diz Camilla Croso Silva, que participou da elaboração do estudo.

As garras sobre a América Latina

O dossiê Banco Mundial em Foco, elaborado pela Organização Não-Governamental Ação Educativa trata também da influência do Banco Mundial em países da América Latina através do projeto Iniciativa Via Rápida (IVR).
Lançado em abril de 2002, este programa surgiu para viabilizar recursos de cooperação internacional com objetivo de acelerar o cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio, fixadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000. Na América Latina, três nações participam do programa: Nicarágua, Honduras e Guiana.
No entanto, para que um país se torne apto a receber recursos, deve passar por uma análise rigorosa sobre os seus compromissos com o próprio Banco Mundial e com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Recursos até o momento limitados e falta de transparência na formulação e execução dos projetos são algumas das críticas, assim como a visão economicista da educação. Exemplo: para o BM, a estrutura da escola e o material didático têm impacto mais positivo na qualidade do ensino do que o aumento salarial dos professores. (IO)

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Imperialismo Norte Americano ameaça a América Latina!


Um dia após o encontro, insistentemente solicitado, do embaixador venezuelano em Washington, Bernardo Alvarez com o sub-secretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, que transcorreu em ambiente franco e cordial, propício ao diálogo, a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, propôs em uma audiência na Comissão de Relações Internacionais da Câmara de Representantes, uma frente unida internacional para se opor a Chávez. Qualificando o presidente da Venezuela como um desafio à democracia e um perigo para a região devido aos seus vínculos com Fidel Castro, conclamou a comunidade internacional a ser muito mais ativa em seu apoio e defesa do povo venezuelano. Informou ter mantido contacto telefônico com os chanceleres da Áustria e Espanha e do Brasil, Celso Amorim, garantindo estar trabalhando com governos responsáveis, inclusive governos responsáveis de esquerda, como o brasileiro ou chileno, para tratar de confrontar essas tendências. Indagado por jornalistas, o presidente chileno, Ricardo Lagos, disse desconhecer o assunto. Já um porta-voz da Assessoria de Imprensa do Itamarati, consultado pela Agência France Presse sobre as declarações de Rice, foi mais explícito. Declarou que o Brasil manteve nesses últimos anos excelentes relações com a Venezuela. “Esse bom entendimento pode ser exemplificado pelos encontros freqüentes entre o presidente Lula e Chávez e o recente ingresso da Venezuela no Mercosul”, expressou.
“Isso demonstra o alto grau de nossa relação com o governo Chávez, que é um sócio protagonista da Comunidade Sul-americana de Nações”. Mais tarde, o próprio ministro Celso Amorim expressou que Chávez é um presidente eleito por seu povo, por uma maioria, um dos poucos presidentes que se submeteu a um referendum e que ganhou, não podendo haver dúvida quanto à legitimidade de seu mandato O intrigante, porém, na manifestação de Rice – e que não apareceu na mídia – é ela ter afirmado que tem sido útil que haja apoio internacional para a paralisação de sindicatos de transportistas que está ocorrendo na Venezuela. “Penso que os trabalhadores internacionais podem desempenhar um papel em expor as pressões contra os movimentos de livre comércio, como o fizeram os trabalhadores do Solidariedade na Polônia. Há pessoas agora que necessitam dessa ajuda, de modo que a comunidade internacional deve ser muito mais ativa”, afirmou a Secretária norte-americana. Ocorre que esta paralisação não existiu nem existe, e a referência específica ao ‘paro’ só faz transparecer que planos sinistros estão sendo arquitetados. Vale notar que o deputado democrata Lincoln Chaffee, nesta mesma audiência, admoestou-a por ter desrespeitado o povo venezuelano e não soube como justificar a abstrusa política com relação a Chávez. O objetivo do governo Bush é, valendo-se de aberta ingerência, em flagrante violação da soberania da Venezuela, e com apoio da oligarquia, da oposição golpista e dos meios de comunicação que a representam, desestabilizar o processo revolucionário, desqualificar o presidente Chávez tendo em vista as eleições presidenciais de 3 de dezembro, em que o líder bolivariano aparece como franco favorito para mais seis anos de mandato e a conseqüente consolidação da Revolução que lidera.. A extrema direita que governa os Estados Unidos espuma de ódio com a aproximação com Cuba e o estreito relacionamento entre os povos venezuelano e cubano, a Alba em plena execução, não admitem a rebeldia do governo Chávez, reagem furiosamente à não submissão aos desígnios imperialistas no país e em nível planetário, à condenação ao neoliberalismo e à Alca, tremem diante da convocação ao povo venezuelano para construir uma sociedade socialista nova e repelem a idéia da integração de nações e povos da América Latina em marcha. Os falcões instalados na Casa Branca não suportam que os povos tomem em suas mãos os próprios destinos. Em 11 de março próximo, às vésperas da posse de Michelle Bachelet na presidência do Chile, os presidentes Lula, Kirchner e Chávez estarão reunidos em Mendoza para examinar detalhes do projeto do gasoduto que percorrerá a América do Sul a garantir no futuro a fonte energética para o desenvolvimento de nossa região e outras questões de interesse comum. Que seja esse um momento alto de afirmação da unidade sul-americana em torno da integração. Que os partidos políticos progressistas, nacionalistas e de esquerda proclamem o primado da autodeterminação dos povos e repudiem a proposta de Washington de isolamento de Chávez.. Que os movimentos sociais manifestem seu sentimento internacionalista de solidariedade ao povo venezuelano e à revolução libertária bolivariana.

Max Altman 17 de fevereiro de 2006

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Florestan Fernandes e o MST


Originalmente publicado em
São Paulo, sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
Folha de São Paulo

DEPOIMENTO: Florestan e o MST

(ANTONIO CANDIDO)

Numa reunião como esta, nada mais natural do que evocar o nome de Florestan Fernandes, um dos intelectuais brasileiros do nosso tempo mais empenhados em transformar o pensamento em ação política e social. O traço que quero ressaltar nele em primeiro lugar é o orgulho com que sempre se referiu à humildade das suas origens de homem do povo, nascido na pobreza, marcado pelas privações que se opõem como obstáculo à realização pessoal. Orgulho nobre e justo, porque para ele esses obstáculos foram estímulo, e os seus grandes feitos surgiram da luta contra tudo o que poderia tê-lo paralisado. Florestan construiu a sua personalidade, a sua carreira, a sua obra, a sua militância graças a uma tenacidade e a uma coragem raras, aliadas à lucidez com que soube desde cedo analisar a realidade que o cercava, escolhendo as posições de radicalidade e inconformismo. Consciente da iniqüidade própria da nossa organização social, ele se aplicou a partir de certa altura a estudar o mecanismo do privilégio, a natureza das oligarquias, a formação da burguesia, a exclusão do negro depois da Abolição, os vícios elitistas do nosso processo educacional. Havia na sua personalidade poderosa uma espécie de titanismo, tomada a palavra em seus dois sentidos principais: o de força hercúlea e de ânimo de revolta contra as potências superiores. Curiosamente, ele atuou a maior parte da vida fora dos partidos. Ainda moço, na segunda metade dos anos de 1940, por influência de seu amigo Hermínio Sacchetta, militou algum tempo numa organização trotskista, mas em seguida, e por quase quarenta anos, militou por conta própria, só ingressando no PT em 1986, quando foi eleito deputado federal. Nesse longo intervalo, eu lhe dizia de vez em quando que não precisava entrar para nenhuma organização partidária, porque valia sozinho um partido de esquerda... Isso se tornou claro no decorrer dos anos de 1950, quando empreendeu com Roger Bastide a grande pesquisa sobre a condição do negro em São Paulo. Até então ele se enquadrava no tipo mais acadêmico de sociologia, no qual produziu alguns trabalhos fundamentais. A partir da referida pesquisa, foi elaborando o que viria a denominar "sociologia crítica", isto é, marcada pela consciência política. A situação do negro é um dos problemas mais graves da sociedade brasileira, porque significa a exclusão e a humilhação de grande parte do povo devido à cor da pele. É uma situação que desumaniza o excluído, por negar-lhe acesso aos níveis satisfatórios da vida social e econômica; e desumaniza também os agentes da exclusão, porque implica neles uma falta de fraternidade que raia pela insensibilidade moral. Florestan enfrentou este problema com decisão e clarividência, inclusive fazendo da pesquisa uma oportunidade para o negro manifestar-se como sujeito, não como objeto. Ele e seus colaboradores, inspirados pelo mestre Roger Bastide, abriram uma fase nova na maneira de abordar o problema racial em São Paulo. Nos anos de 1960 houve outros momentos importantes da ação política de Florestan, sempre associada à sua condição de intelectual revolucionário independente. Foi o caso, a partir de 1959, da memorável campanha que desenvolveu por todo o país a favor da escola pública, expondo uma das falhas mais dramáticas da sociedade brasileira, que é o descaso pela democratização e generalização do ensino. No Brasil, consciente ou inconscientemente, a preocupação sempre foi formar as classes dominantes, descurando o resto da população, com uma insensibilidade que chega a parecer projeto intencional. O resultado é este país mal preparado para a vida moderna, comprometido pelas sobrevivências arcaicas da nossa organização social. A campanha de Florestan expôs a chaga e foi um episódio maior na luta pela verdadeira democracia. Quando entrou para o PT, a sua saúde já estava seriamente abalada, devido a um erro de hospital. Os amigos ficaram apreensivos ao vê-lo assumir a responsabilidade de um mandato no Congresso, e alguns chegaram a pensar que não resistiria. No entanto, o seu titanismo venceu tudo, ele pareceu recuperar as forças e durante dois quadriênios exerceu o papel de legislador com firmeza e competência, ambas exemplares. Quando a morte o feriu, devido a outro erro hospitalar, a impressão foi que só ela seria capaz de abater o ardoroso lutador. Por tudo isso, acho que nada mais natural do que evocar o seu nome num evento ligado ao MST, cujo ânimo de luta e cuja oportunidade histórica se combinam bem ao que ele foi, porque o MST possui a fibra militante e o alcance revolucionário que ele tanto prezava. Estou certo de que o MST é um movimento historicamente decisivo, e Florestan devia pensar o mesmo. Para esclarecer o meu ponto de vista, peço licença para remontar ao tempo da minha mocidade e da minha iniciação na vida política. O ano era 1945 e, com a volta das liberdades civis após sete de ditadura, um grupo de jovens de que eu fazia parte fundou uma agremiação inconformada, que desejava encontrar fórmulas adequadas à nossa realidade, num sentido de transformação revolucionária. Éramos cheios de esperanças e estávamos convencidos de que nem o stalinismo nem o trotskismo poderiam fornecer diretrizes convenientes ao Brasil. Por isso, tentávamos com a nossa bisonhice elaborar uma concepção e uma ação de cunho radical, pautadas pelas características da evolução histórica brasileira, sem abrir mão da democracia. O nosso principal inspirador era um antigo comunista que fora preso em 1935, fugira da prisão em 1937, vivera no exterior e voltara quando a guerra eclodiu em 1939: Paulo Emilio Salles Gomes. O nosso agrupamento, denominado União Democrática Socialista, UDS, durou pouco e nós acabamos entrando para a Esquerda Democrática, que em 1947 passou a se denominar Partido Socialista Brasileiro, fechado em 1965 pela ditadura militar. O manifesto da UDS foi escrito por Paulo Emilio e nele se lia o seguinte trecho, para o qual chamo a sua atenção: "Na história do liberalismo e da pseudodemocracia do Brasil, os grandes fazendeiros, industriais, comerciantes e banqueiros já falaram muito. A classe média e o operariado disseram algumas palavras. Os trabalhadores da terra são a grande voz muda da história brasileira".Este ponto de vista foi um dos meus guias políticos desde aquele ano remoto de 1945. Os trabalhadores urbanos tinham começado a se organizar politicamente em grande escala e a participar como força viva no país. Mas o trabalhador rural continuou marginalizado, sem liderança, mesmo paternalista, sem oportunidade de se manifestar na política de maneira consciente. Só em 1955 um companheiro nosso do Partido Socialista, Francisco Julião, fundou as Ligas Camponesas e iniciou de maneira efetiva, revolucionária a seu modo, a era das atuações sistemáticas do trabalhador agrícola. Mas passou ainda muito tempo antes que o processo amadurecesse e o campesinato começasse a pensar realmente na vida política brasileira, o que só aconteceu com o MST. Por isso este último é um acontecimento histórico decisivo, porque completa a incorporação de todos os brasileiros à esfera das decisões de interesse coletivo. Retomando as palavras do manifesto da nossa UDS, lembremos que primeiro falaram as classes dominantes; depois, a classe média e os operários; finalmente ergueu-se a voz que faltava, a dos trabalhadores da terra. Assim, o circuito se completou e o Brasil está preparado, pela primeira vez, para as lutas decisivas, com a possibilidade da participação de todos os segmentos e camadas, cada um afirmando os seus interesses e as suas reivindicações. Graças ao MST estão, portanto, criadas as condições para que a sociedade brasileira possa manifestar-se de maneira íntegra, inclusive afirmando a vontade transformadora dos seus setores radicais. O MST foi um sinal de amadurecimento da sociedade e a condição para que seja realizada a vontade transformadora no sentido da justiça social e da organização econômica pautada por ela. O que estou procurando sugerir é que devido ao MST estamos finalmente maduros para tentar realizar a aspiração de um homem como Florestan Fernandes, isto é, a ação revolucionária que há de transformar o Brasil. Quem diz revolução não diz necessariamente insurreição nem violência armada, mas decisão de alterar pela raiz a estrutura da sociedade, estrutura que no Brasil é das mais injustas da terra. Com estas palavras fecho o meu anel expositivo. Um grande intelectual revolucionário, como foi Florestan Fernandes, deve ser pensado em conexão com os grandes movimentos radicais, como é o MST. A conjunção de ambos neste evento é natural e anima a nossa esperança.
ANTONIO CANDIDO, 86, é crítico literário, professor emérito da USP e autor de "Formação da Literatura Brasileira" (1959) e "O Discurso e a Cidade" (1993), entre outros livros.

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DCE convoca para ato contra a Taxa de Luz e construção de novo Plenário da Câmara



Convidamos a todos (as) estudantes e demais sorocabanos a participarem neste sábado, dia 11 de Fevereiro, às 09:00 horas, do ato contra a Taxa de Luz na Praça Cel. Fernando Prestes. Também protestaremos contra a absurda ampliação da Câmara Municipal e a postura autoritária de seu presidente.
Na manifestação será feito o simbólico “julgamento popular” da Taxa de Luz. Este ato é parte das manifestações da sociedade contra a taxa, como as ações judiciais encaminhadas por forças político partidárias, e a nossa representação junto à OAB.
Convocamos as demais entidades e movimentos sociais para a manifestação. Lembramos que a atividade já contara com a presença de partidos, do Círculo Bolivariano Victor Jará entre outros movimentos populares.
Entendemos que se faz urgente a união e articulação de todos (as) que lutam pela igualdade e justiça.
Para isso façamos destes vergonhosos atos do poder público em nossa cidade o momento em que demonstraremos a nossa força.
Taxa de luz. Apague esta idéia!

Dce Capucho – Uniso

Contato
Presidente DCE – Gilson Amaro. Tel. – 8116-21-96

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Fora Bush!

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